Manifestantes entram em confronto com a Polícia no Estádio Mané Garrincha contra custos da Copa das Confederações

O Batalhão de Choque da Polícia Militar isolou na tarde deste sábado a entrada do estádio Mané Garrincha, em Brasília, para impedir a aproximação de manifestantes que protestavam contra os custos da Copa do Mundo e os investimentos bilionários em estádios de futebol. Os policiais fizeram um cordão e utilizaram bombas de gás lacrimogênio, spray de pimenta, além de disparar balas de borracha. Após o confronto entre manifestantes e a PM, houve corre-corre e confusão. O locutor oficial do estádio pede calma aos torcedores que chegam ao local para a abertura da Copa das Confederações, o jogo entre Brasil e Japão. Policiais prenderam, até agora, 25 pessoas, sendo dez menores.

O Corpo de Bombeiros confirmou o registro do primeiro ferido durante o protesto. Um estudante foi atingido na perna por um tiro de bala de borracha e deve ter que levar alguns pontos, segundo informaram bombeiros. Na operação para dispensar os manifestantes, um policial que pilotava uma motocicleta atropelou um homem. Logo em seguida, outros policiais prenderam o manifestante.

Em duas ocasiões a PM usou a força para conter centenas de pessoas. Cerca de 300 manifestantes chegaram no fim desta manhã ao estádio para protestar. À tarde, eles somavam de 500 a 600 pessoas, segundo o tenente-coronel Zilfrank Antero. Os manifestantes também reclamam de outras violações de direitos supostamente provocadas pelo evento — como a remoção de famílias, a exploração sexual e a falta de dignidade dos trabalhadores da construção civil.

As vias anexas ao estádio estão bloqueadas por cordões de policiais em todos os sentidos e por viaturas. Mais cedo, os policiais não barraram a passagem dos manifestantes. Eles gritavam “sem violência” ao se aproximar do local, na altura da Torre de TV.

Zilfrank Antero, um dos policiais responsáveis pela segurança no estádio, afirmou na tarde deste sábado que os torcedores com planos de assistir ao jogo podem ficar tranquilos, porque todos os portões de acesso estarão abertos, apesar da presença de manifestantes. Ele informou que há 1700 policiais militares no estádio.

– Não houve nenhum confronto, só granadas de efeito moral – disse o militar.

A manifestação chegou muito próxima dos portões de acesso ao estádio. A polícia, em alguns momentos, teve trabalho para conter os manifestantes, que corriam e mudavam a direção da passeata.

No início da tarde, antes da confusão, muitos torcedores passavam assustados com o protesto e a movimentação dos cavalos e policiais.

– Aparentemente está pacífica a manifestação. É legítima, mas acho que a hora é errada. Tinha que reivindicar antes. Agora vão fazer o quê, derrubar o estádio? – indagou Anderson Figueiredo, de 23 anos.

A PM avalia que falta organização e uma liderança única ao movimento. Por volta das 12h30m, houve uma discussão entre os manifestantes: um grupo queria expulsar representantes do PSTU do movimento.

O governo do Distrito Federal informou em nota que cerca de 200 manifestantes estão sendo “contidos e acompanhados” por forças policiais. Segundo o governo, a Polícia Militar fez “uso progressivo da força desde as primeiras horas da manifestação, garantido atuação pacífica e o controle absoluto do movimento”.

Na nota, o governo avisa que não vai permitir “perturbação da ordem pública e nem qualquer tipo de ameaça à realização do jogo e ao público participante dessa grande festa para o Distrito Federal”. “Dessa forma, os torcedores que se encaminham ao Estádio Nacional de Brasília Mané Garrincha têm o acesso garantido normalmente. Neste momento, eles ingressam na arena sem qualquer tumulto”, diz a nota.

Pela manhã houve deliberações, dentro do grupo, se a passeata, que começou às 11h, deveria seguir ou não para o estádio, prevendo que poderia haver confrontos com a polícia. O grupo que votou contra, no entanto, foi vencido.

Os manifestantes consideram o protesto como uma extensão das mobilizações que ocorreram nos últimos dias em São Paulo e no Rio de Janeiro contra o aumento das passagens de ônibus. Uma das faixas carregadas pelos jovens é assinada em nome de “Centros acadêmicos de medicina na luta por mais saúde”.

— O governo gastou R$ 1,5 bilhão para construir o estádio aqui em Brasília enquanto faltam recursos para a saúde — disse o estudante Vinícius Veloso, de 23 anos, que estuda medicina na faculdade do Distrito Federal.

O protesto foi organizado pelas redes sociais.

No início do protesto, a PM abordou os primeiros jovens que chegaram à rodoviária, concentração dos manifestantes. Eles foram revistados e um dos policiais chegou a dizer que havia gravado o rosto de cada um deles.

— A gente foi revistado assim que chegou aqui. Não sou criminoso, não estou fazendo nada errado. É apenas um protesto — disse o estudante Darlan Gomes, de 19 anos.

Integrantes do grupo ressaltaram no início do protesto que a ideia era fazer um protesto pacífico, sem enfrentamento com a polícia, nem depredação do patrimônio público. Para os manifestantes, os protestos desta semana foram apenas o início de uma mobilização maior que tomará conta de outras cidades brasileiras.

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