FRAUDE NA INSPEÇÃO VEICULAR DA PORTO SEGURO


Já faz um tempo que eu estava para escrever esse post, mas queria estar com os números em mãos.
Como vocês já sabem, em São Paulo a inspeção veicular de poluição agora é obrigatória praa todos os carros. Portanto, tive que levar o Vectra para fazer a inspeção, que era no máximo até este mês.de maio. Ano passado ele escapou (2002), mas neste ano, não.
Como segurado da Porto Seguro, fui gentilmente informado de que poderia fazer gratuitamente uma verificação de poluentes na própria Porto para saber se meu carro passaria na inspeção ou se precisaria de manutenção antes. Muito bonito, mas nada bem intencionado… Mais uma vez o conflito de interesses e a ganância do lucro fácil colocam por terra algo que poderia ser uma boa ideia.
Cheguei ao posto da Porto da Av. Rio Branco por volta das 9 horas do dia 6 de maio. Estava vazio. Perguntei se havia fila para fazer a inspeção e me disseram que não, mas pediram para que eu aguardasse. Aguardei por longos 40 minutos, sendo que não havia ninguém na máquina de inspeção. Não entendi na hora por que a demora, mas depois entendi.
Pois bem, logo de cara já veio um carinha me perguntando como estava o ar-condicionado do meu carro. Eu disse que estava gelando bem, que não tinha problemas. Aí ele insistiu na higienização. Foi quando eu falei que troco eu mesmo o filtro a cada 6 meses e que por isso não era necessário higienizar. Ele viu que daquele mato não sairia coelho e desistiu. Mais uma empurroterapia de que eu me livro. E o tempo correndo…
Passados os 40 minutos, o cara finalmente resolve pegar o meu carro. Liga e manobra até à máquina de inspeção, colocando rapidamente o sensor no escapamento e começando a operá-la. Quando ele começa a mexer na máquina, vi que o último carro inspecionado havia sido um Comodoro 2.5 2010 (!). Quando ele colocou os dados do meu carro (bem rapidamente), informei que o ano do carro era 2002, e não 2010. Ele pôs 2002 lá.
Ignorando os avisos de colocar os sensores de rotação e de temperatura, começou a medição. Ele parecia ter pressa. Foi aí que me caiu a ficha!!!
Ele queria fazer o exame com o carro frio, justamente quando a mistura de aquecimento é mais rica! Por isso a pressa toda! Por isso o chá de cadeira de 40 minutos! Me toquei disso quando senti o cheiro de catalisador atrás do carro. Não fez a descontaminação, nada, era só pressa de medir. E mediu, chutando as 2.500 rpm:
CO a “2500”: 0,58% Em ML: 0,36% HC a “2500”: 162 ppm Em ML: 134 ppm Diluição a “2500”: 15,06% Em ML: 15,40%
Na máquina, deu tudo verdinho e saiu o relatório com o “aprovado”. Com cara feia, ele me deu o papel e falou rispidamente “Tá aprovado”.
Claro, não era pra aprovar, era para reprovar para eles ganharem serviço. Aprovando, ficava grátis e não dava lucro. Ele antes de colocar o carro lá já tinha me falado que, se não passasse, precisaria ver bicos, velas, cabos etc. (já preparando para empurrar o serviço), mostrando um Polo 2003 que tinha sido reprovado.
Aí eu entendi o “Comodoro 2.5 2010”: Eles colocam como 2010 porque os limites são muito mais estritos (0,3% de CO e 100 ppm de HC), aí dá vermelho na máquina e “reprovado” no relatório. E medem com o carro frio (deixam esfriar) pra terem certeza de que estes limites serão ultrapassados. E daí tome kit limpeza de bico, corpo de válvula, troca de velas, cabos, sensores de injeção etc…Uma salgadinha conta de mais de 500 reais, alimentada pelo medo do incauto de não passar na inspeção. Provavelmente, após essa operação toda, devem medir de novo seguindo os parâmetros corretos e… BINGO, agora passa com louvor!
Se eu não tivesse avisado o cara para mudar o ano de 2010 (vem como default) para 2002, meu carro não teria passado e seria mais uma vítima do “reprovado”.
Sem mexer nada no carro, fiz a inspeção em 28 de maio e os resultados foram:
CO a 2500: 0,20% Em ML: 0,01% HC a 2500: 28 ppm Em ML: 44 ppm Fator de diluição a 2500: 0,97 Em ML: 0,97 – Equivale a 15,40% Ou seja, medido a quente como se deve, meu carro passaria inclusive nos limites pra inspeção de um carro 0-km. A quente, o truque do ano 2010 não funcionaria com o meu carro, por isso precisavam deixá-lo esfriar.
A coisa funciona assim: como a Porto não quer arcar com o custo disso, ela repassa a inspeção para uma empresa picareta estilo DPaschoal chamada TopStop, em que os mecânicos são os “vendedores” e são comissionados pelo quanto de serviço “vendem” aos clientes. A TopStop entra com todo o maquinário para fazer a inspeção em troca de poder efetuar os serviços “necessários” nos carros inspecionados. Só que como os limites de inspeção são meio frouxos e a grande maioria dos carros passaria, eles desenvolveram esse método de inventar problema para conseguirem coletar serviço. A Porto também tem culpa nisso porque, para poder oferecer o “serviço” sem ter que botar a mão no bolso, coloca uma raposa pra tomar conta do galinheiro.
Por isso, tomem muito cuidado com essas “inspeções gratuitas”, é tudo engodo pra vender serviço. Um carro em bom estado passa facilmente na inspeção, os limites são frouxos pacas. No meu ano (2002), o limite é de 1% de CO e 700 ppm de HC, coisa que meu motor com 130.000 km e catalisador original ficou MUITO abaixo, para não passar teria que estar bem zoado mesmo.
CMF

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